quinta-feira, 10 de abril de 2014

CRISTIANE
Hoje quis sair com nada.
livre. 
com espaços. 
chave, óculos, chinelos. 
Se meu caminho fosse de terra, teria pisado firme, descalça. 

Quando a proposta da aula sugeriu envolvermos nossos pertences, sorri por dentro, leve, feliz pela escolha do simples. Logo tudo estava a minha frente - chinelo, chave, óculos e uma blusa. 

Então usei o espaço do tempo para ver a sala ser invadida por objetos. Os desenhos que surgiram me chamaram atenção, circulares e os de canto, cada um/a dentro da sua estética construída.

Experimentar as coisas dxs outrxs  foi muito bom, se colocar nx outrx, ser x outrx e recriar x outrx.

No primeiro contato fui um homem bonito, de gestos sutis, silenciosos que me proporcionou uma leitura do devir que guardei para um fluir. E fluiu. No tempo incerto, quase no final do todo, onde tudo já era nada. 

Durante as trocas minhas coisas foram as únicas que ficaram no chão. O eu-coisa não saiu do lugar. Observei que era quem tinha menos coisas. Me pareceu muito curioso sobrar. O quanto satisfez e foi desejo experimentar as tantas possibilidades que xs outrxs trouxeram. Em um momento outra curiosidade. Ouvi alguém comentar que haviam deixado coisas pelo caminho, não falei que eram minhas pra observar as reações. Um menino estava com um par dos chinelos incorporados. o resto continuava resto. Pensei: o simples é escolha mas o apego é complexo. 

Remédios, dores, eletrônicos, moedas, orientalismos, mudas de roupas, amuletos, cartões, meias, grampos, florais, colírios, papéis - 7 chacras do consumo.

Remexer dentro dx outrx. Transpor o gênero: o binarismo. Nem uma garrafa cheia, todas pela metade.

Resignificação dos sentidos.

Não me vi nx outrx. Fiquei invisível. Estado que gosto de estar.
Ou talvez estivesse em todxs. Corpo solto e ilusões ali no meio da sala.

palavras da Ungida pela Senhora !

abraço

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