quinta-feira, 29 de maio de 2014

Aula 5: OS MONSTROS

Existem diversos seres na Terra que causam espanto e curiosidade. Mas eles não surgiram repentinamente. Há um delicado processo de construção e incorporação em 7 etapas:

Passo 1.
Raspe com as unhas a superfície da pele deles.

Passo 2.
Com o dedo polegar e o indicador retire pequenos pedaços que ainda sobraram de pele.

Passo 3.
Coloque a primeira camada de uma nova pele, cuidando para primeiro cobrir bem o rosto afim de desumanizá-los.
Obs: tome cuidado! esse é um passo perigoso, pois, eles podem manifestar agressividade.

Passo 4.
Verifique se todo o corpo anterior foi devidamente coberto com a primeira camada de pele.

Passo 5.
Coloque a segunda camada de pele, preservando as articulações.

Passo 6.
Dê o seu toque pessoal na criatura.

Passo 7.
Se afaste imediatamente e observe-o.

Passo 8. (OPCIONAL)
Domestique-o. 

Passo 9. (OPCIONAL)
Tire uma foto criativa com ele e publique no Face para os amigos curtirem.
   

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Viva o coelhinho...

A Páscoa já passou faz tempo... mas aí vai um vídeo para relembrarmos esta data querida!


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Aula N.4 Espaço - corpo/matéria - Tempo

aonde foi que eu estive?




Agora já tenho certeza que o corpo é somente corpo nesse espaço
bem frequentado. Composições Assimétricas, contatos diversificados.
Desconstruções necessárias para que a integridade do que sou possa
seguir livre, em meio aos fios entrecortando o espaço. Água da boca
e objeto estranho se acumulando em seus cantos. Momento de abertura
da mente. Já é tempo, do exorcismo artístico.

-"Psicografia" - Referente a Aula do dia 25/04-

Florido Priscila

sábado, 10 de maio de 2014

"Estados" - Tempo - Comprimido - Distendido - hã?

Início: eu me explorando

Auto busca - conectar comigo - me usar - usar minhas coisas - explorar - brincar - agir - desequilíbrio - possibilidade... resultado: encontrei um estado de possibilidade - de criatividade - pronta para o que "der e vier". com tesão.

Meio: eu explorado o espaço e o outro
estado de "possibilidade' - reajo, sinto e vibro no compasso do outro - interajo - pesquiso - jogo - não jogo - sou com todos, nem todos me sentem, mas eu sinto. com tesão.

Meio 2: eu desconectada com tudo

desentendi a proposta - desconectei - said o estado de "possibilidade" e fui para o estado "contemplativo" - sentei - observei - olhei - fui chamada - fui - apenas executando ações - sem relação - sem estados - não curti - suor. sem tesão.

Fim: Tá, deu!

Chega - acaba - já foi - cadê minha mochila - achei - que bom que não ta na roda - putz, e aquela câmera que quase se espatifou no chão - tarefas - ações - confuso - chega. sem tesão.


ps. tesão não literal - tesão relacionado a minha relação com o que eu faço.

1. Primeira aula, primeira postagem, "baba antropofágica".


PERFORMANCE, ESPACIALIDADE E O RE-ENACTMENT
Uma performance pode ser re-feita?¹

“re-enactment seria um re-fazer de uma performance, dentro de uma perspectiva quase museológica de conservação, ou se apresentaria como um desdobramento, uma multiplicação, uma contaminação artística?” (ALICE, Tânia)²

Pois é... pode? será? 

Eu artista - eu artista criador - eu artista político - eu artista provocador - eu artista ativo - será que eu consigo dar "sentido" para uma experiência não provocada por mim? Será que consigo reviver algo explorado em outro tempo-espaço? Será que possuo dispositivos acionáveis para algo de outra pessoa?
POR QUE NÃO?

Acho que é uma experiência válida explorar práticas de outros artistas, performers, terapeutas(?)... dando o sentido de pesquisa - de investigação de potencialidades. Não nego a experiência, vivo-sinto-participo-faço-reflito-ajo. mas não a mil pelo Brasil! Me permito, mas não me dá tesão.

Caetano Veloso + Lygia Clark + Suely Rolnik = http://www.bcc.org.br/filme/detalhe/037834 

Questão para o próximo encontro:

Como me estimular para entrar em contato comigo? Como entrar em contato com o outro? (não aparentemente - e não qualquer contato)

ps. tocar no início da aula "it's a long way" foi uma ótima recepção...

1. Título de um trabalho "não apresentado" no I Encontro Regional Pibid; autora: Gabriela Tavares
2. ALICE, Tania. O Re-Enactment como prática artística e pedagógica no Brasil. E-misférica, v. 8.1, s/n, 2010. Disponível em:  <http://hemisphericinstitute.org/hemi/es/e-misferica-81/Alice> Acesso em: 25 de Outubro de 2013.

Um texto que pretendo ler: http://eipcp.net/transversal/0507/rolnik/pt

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Quando o ser sente que não.

Não sinto amarras dentro da arte e dentro da vida que me façam ser avesso às tentativas. Sempre tento ser adepto à pró-atividade  nas manifestações artísticas que desconheço. Essas palavras fazem-se  materiais, porque preciso deixar-me contestar a liberdade forjada, quando não é natural, ou sensível. Talvez ,pelo menos, para meu corpo. Sou de vocês sempre que estamos juntos, grupo, porém sou um ser individual também e na última aula não me senti energeticamente disposto a comungar com vocês em alguns momentos; pois as propostas de aula não chegaram até mim de forma sensível e convidativa.

Percepções sobre a aula do dia 25/04.

Pascole


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Páscoa

A Rua dos Cataventos

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
(Mário Quintana)

Caetano e a Teia


Sorri com aquele som que cortava o espaço aéreo.
Caetano me disse: se jogue!
Dancei.
E parei. E esquentou no frio. E a pele se esticou lambendo a pele do chão.
Vi corpos, cobertos por peles e por roupas.

Caetano cantava e me esquentava.
Todo dia eu como uma verdade e vomito uma metáfora.
Hoje comi um fio de lã e regurgitei minha alma. Saiu quente e acho que foi embora, porque ficou fria, ficou podre, ficou nojenta. Não é mais minha alma!

Caetano já não canta e eu já sinto frio novamente.
Iemanjá aparece na flor. Na flor rindo. Florido.
E a teia surge. Mágica, mágica, mágica. Sou aranha, todo mundo dentro é.
Corre, agarra, pula. Não penso mais em Caetano. Só penso na aranha.
A teia é um caleidoscópio de imagens. Imagens de coelhinhos aleatórios.
Imagens de facas cortando pulsos.
De uma mulher dançando.
De um menino chorando e moedas caindo.
De jovens correndo no parque atrás de chocolate.
De ovos ovários.
De um rio e uma canoa.
De um escuro.

Caetano silencia.

Sequestro

Sexta de manhã. Sequestrado! Fui sequestrado. Fomos sequestrados.
Tinha que sair do espelho e caminhar pra um portal: plantas, plantas, muitas plantas e chuva.
Água benta que cai nos meus cabelos e que limpa algum lugar para a nossa chegada.

TODO MUNDO VÊ O QUE EU VEJO?

Mas era só o portal.
Tem uma nave lá em cima, uma abóboda cor de rosa.
Tem uma escada que dá acesso. Frágil. Pura. 5 por vez.
Subi correndo, com medo, comendo.
Entrei e aos poucos entramos.

ME TIREM DAQUI!

Fiquei sem respirar por 9 minutos e acabou. Todos foram acabando. Eu fui acabando e acabei.



terça-feira, 6 de maio de 2014

Texto dois.

Mais uma performance, mais uma apresentação. Mais uma forma de me desnudar de mim mesma. Até onde eu queria isso? A verdade nua e crua é que eu simplesmente não queria. A chuva, o frio, a minha rinite e a bendita desidrose eram desculpas físicas e palpáveis de um doer que ia além do físico. Eu não me encaixava naquela caixa. Eu não fazia parte daquele grupo da chuva, das ervas daninhas, das sujeiras de pombo. Eu não era. Eu não queria ser. E, sinceramente, não tinha problema. A interação ainda existiu e o carinho não sumiu. O coração ainda era meu, a alma ainda era minha e, além das roupas, das coisas, eu já começava a enxergar os meus colegas pela faísca no olho e o sorriso tímido no rosto. Tudo muito subjetivo, tudo muito sentimental. Mas acho que é a isso que um grupo experimental se resume...

Texto um.

Texto um.

Montar a minha ilha. Como fazer isso? Como me reconhecer em pedaços tão inúteis de mim mesma? A semi-nudez não me intimidava, poucas vezes me intimidou. O que me intimidava, e me incomodava, era a tentativa de me construir em algo em que eu não necessariamente me reconhecia. Rosa, desde quando eu gosto de rosa? Moedas arrumadas ou moedas bagunçadas? Tantas perguntas inúteis. Até onde elas compunham quem eu era e até onde elas me enganavam e enganavam o outro? Como formar minha ilha? Como me formar e identificar o que era "meu" como algo real e parte de quem eu sou?

E depois dessa confusão inicial veio a troca. Troca-troca de energia. Que confusão interna. Parecia que eu me debatia comigo e todos aqueles outros que tentavam fazer parte de mim.Como assim ele arrumou as moedas dele em duas filas horizontais? Quem raios precisa dessa quantidade de camisinha? Caramba, como essa calça me aperta....Ao questionar os outros, eu me questionava. Em. cada. maldito. instante. Eu era todos e não era ninguém. Eu não me pertencia mais. E toda essa mistura me trouxe um cansaço que nem eu imaginava que existia. Um cansaço moral, existencial. Uma puta canseira de ser quem eu era...

Namisi

Fios que afogam

Seus pertences. Já falei que depois que comecei a experimentar/vivenciar as aulas de performance minha relação com as minhas coisas mudaram? Pois é, essa relação gerou uma grande pergunta que move meus dias atuais e me modifica de forma radicalmente constante: O QUE EU PRECISO? Muitas são as respostas/reações que aparecem quando eu estabeleço/faço essa pergunta, muitos são os sustos que eu tomo com certas respostas (minhas), quando me deparo com uma consciência mecânica, clichê e monótona.

/As respostas me instigaram e me trouxeram novos “campos” que até então adormecidos estavam por eu não querer acordá-los. Não preciso dizer que estas respostas geraram mais muitas perguntas.

/Comam o novelo. Hã? Como assim? E ele foi enfiando aquele emaranhado de fio na boca. Assim, eu repeti. Enchi a boca de lã, de cor, de fio de lã de cor.

/Algumas pessoas deitadas no centro do circulo semi-nuas. A cor de fio de lã de baba, tirada da boca posta sobre elas, enrolada em nós. Nós nós.

/O que é parte de mim? E se fosse sangue? O que o nojo representa no meu corpo? E qual a minha relação com isto? Era nojo ou descoberta? Era punição, acesso ou invasão?

Entrar em um estado de descoberta sem medo. 
/
/
//Nós nós. Nós nós. Nós nós. Nós nós.

Palavras: uma depois da outra no écran

Nas aulas de processos híbridos sou provocado a efetuar um diálogo intenso com meus motores desejantes mais íntimos. Na tentativa de sair do lugar de reprodutor de uma ação externa, do cumprimento de um desejo alheio, penetro nos impulsos que me motivam ou não a agir. Percebo que em certa medida tenho liberdade para olhar, entender (racionalmente ou subjetivamente), encontrar alguma ligação com o que é proposto que ultrapasse o comando exterior. Sou dono de minhas vontades? Até que ponto?
Minha dificuldade, na maioria das vezes, é encontrar modos de agir e investigar que vá além de uma ação estranha, esquisita dos sanatórios... Mergulho desde que eu encontre alguma relação entre eu e água, senão prefiro estar sentado à areia, tomando coca-cola.  Busco fugir do lugar comum que me parece a facilidade do sanatório. Sinto-me... Dialogo-me... Desobedeço-me... Ouço-me... O que eu quero? Porque estou aqui? O que faço com a liberdades dos outros?
Não quero ser só estranheza, ser só pela estranheza de ser estranho, pois já sou estranho pela não estranheza de ser estranho. \
O que me move????

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Páscoa será?

A lã que entrava ruim e saía boa Naquela lã enfiada na minha boca senti nojo, pensei em coisas que não gosto de comer, pois infelizmente tenho problemas em digerir certos alimentos por ser chata mesmo. É como mudar os pensamentos da água para o vinho pois ao iniciar o depósito de fios de lãs babadas nos colegas que estavam deitados no solo, pensei com carinho como se eu tivesse depositado todo meu esforço de colocar na boca, mesmo sendo um fio todo molhado com saliva, para mim foi como se eu tivesse derramando gotas de carinho, mesmo que fosse daquela forma. As babas com o bafo da manhã misturados no ar da sala, me fez pensar em igualdade, porque as coisas são todas divididas em nossas vidas entre o bom e o ruim, mesmo sendo uma coisa que faz parte de todo humano, o porquê que as coisas devem ser assim do jeito que a maioria pensa, é uma coisa que me instiga todos os dias e refletir que não quero ser igual sempre e nem diferente sempre, gosto de apenas me permitir e sentir e respeitar, e quero aprender sempre a talvez melhorar.
Texto 2 – Preparada ou não? Brincadeira de criança na chuva, corpo na expectativa do novo, e o que nos esperávamos era uma sequencia de trocas de roupas novamente, mas utilizando diferentes formas de abordagens, com a oportunidade um pouco mais livre para experimentar algo que estivesse querendo expor, movimentos que usamos em outras aulas, pessoas curiosas como espectadoras. E naquele momento comecei pensar que eu não estava preparada para aquela situação, não consegui tirar todas as minhas roupas, vergonha não é o melhor significado para isso, mas me causou certa confusão, que não consegui me entregar, e meu corpo se fechou em meio da preocupação externa ou até mesmo de causar algum incômodo com a administração da Casa de Cultura, porque o portão não havia sido aberto para a turma e de certa forma me senti bastante preocupada com a situação. O melhor é saber que realmente não estou preparada, mas na vida é assim, e é bom saber que não estamos preparados, pois isso é o que nos motiva para buscar mais. Mesmo querendo eu não estava de alma presente, e é muito louco pensar que algo que foi tão rico para mim o ato das trocar de roupas com os colegas quando realizado da primeira vez, fosse de certa forma tão subjetivo na segunda aula. Conhecer as nossas reações é uma aprendizagem interna, e respeitá-las também é importante.

práxis



Eu constantemente relaciono o lugar das coisas nos espaços de fora com os lugares que existem no meu lado de dentro, minhas lembranças e minhas ficções;
Acho que assim executo a maioria dos meus trabalhos enquanto artista. Explorar meu corpo como linguagem é um território em exploração e meus encontros diários no grupo experimental são meu laboratório de pesquisas e práticas sobre o meu corpo, sobre o corpo dos outros.
No último encontro durante o experimento de processos híbridos de criação eu senti coisas muito diferentes em contraposição ao meu primeiro contato, entendi uma série de dispositivos utilizados como disparadores de percepção e consegui relacionar eles diretamente a estados performáticos, contudo me questionei em diversos momentos no quanto dessa investigação partia diretamente do meu interesse em explorar as linguagens do corpo e o quanto disso era proposição direta e insistente durante a tarefa. Num segundo momento me detive a observar as práticas e os limites de cada participante do exercício, aí automaticamente refleti sobre as visões de performance que estávamos praticando e insistindo: corpos expostos, uma certa fragilidade humana, limites das ações e exaustão. Tudo isso me pareceu uma nata muito fina de uma linguagem que eu considero mais complexa; Não me parecia muito diferente de todas as referências dos anos 60; pensei em Valie Export depois nos acionistas vienenses e senti uma necessidade de tentar ver além.
A polêmica e as cenas fortes não parecem me surtir mais efeito, eu diria parecem surtir efeito em ninguém. A violência faz parte do vocabulário visual das pessoas e a exposição do corpo acaba sendo uma faca de dois gumes num jogo provocativo com expectador.
A arte agressiva tem que ser rebuscada, para aplicar aos olhos a mensagem verdadeira, o bruto é vulnerável, e pode ser utensílio ardiloso se usado com precisão. É como vejo minha poesis.
Já quase no final do exercício eu me questionei do quanto difícil era pensar em uma aula de performance onde o propositor incita uma série de ações para falar sobre um território tão subjetivo.
As ações durante todo exercício de nada me chamavam a atenção a investigar, e até então tudo que eu fazia era me perguntar até onde de fato eu estava disposto a emergir na prática. E foi na prática descobri. Rompendo fios de lã e desconstruindo um sistema montado em conjunto, o meu “ato performático” a minha práxis não é diferente das minhas demais linguagens e me vi rasgando linhas em estado catártico esse era meu transe, meu inconsciente trabalhando nas minhas ações e meu corpo não era mais limite do meu pensamento.


Maílson

quinta-feira, 1 de maio de 2014

/ hô g


 
Mi madrezita y su bofe com nossos novelos babados
fridz
o velar da origem das coisas faz com que as coisas rehabitem o mundo feito ninfas virgens

domingo, 27 de abril de 2014

O dia do coelhinho aleatório.


ENCONTROS/DESENCONTROS 3




TEM MEDO, CONSTRANGIMENTO,
MAS TEM DESEJO E VONTADE.
O CONCRETO ME MARCA,
MAS A SUBJETIVIDADE ME AGUÇA.
EU QUERO,
EU DESEJO EU ARRISCO.
JOGO MODESTAMENTE,
MAS INTEIRA.
PARTO NESTA BUSCA,
SEM VOLTA.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Por que o “ meu” ... Ao expor nossas coisas para nós mesmos, me veio a sensação do meu eu estar jogado ao solo. Os utensílios que carregamos que usamos tem um valor imenso para nós, como isso é tão grande e necessário um desprendimento da nossa vida como objeto. É como se um poder estivesse impregnado em nossas coisas. Ao tirar as roupas e ver tudo que eu estava usando e levando na bolsa ali naquele lugar, é como se o meu eu estivesse ali, e quando iniciamos a caminhada pela sala tendo todas as coisas despejadas ao solo e podendo observar o que havia de curioso nas coisas dos colegas, naquele momento desprendi as preocupações ao nada e consegui na verdade olhar eu mesma, onde nenhum objeto naquele momento fosse importante ou até mesmo curioso. Senti como se fosse algo de minha rotina, qualquer coisa que estava por ali, ou que eu vesti ao trocar de roupas, relato como algo comum, ao mesmo tempo cuidava com respeito como se naquele momento o que estava comigo fosse meu. Em nenhuma hipótese tive algum pensamento crítico em relação a qualquer colega, ou alguma coisa presente, pois a igualdade estava muito presente naquele ambiente. Aquele momento se tornou tão natural reunido de uma singela estranheza e beleza. E passei a incorporar eu mesma, onde naquele momento nenhuma de minhas buscas ou sonhos pessoais se tornassem mais importantes do que qualquer objeto que estavam expostos na sala. E no final deixei apenas as lágrimas correr pelo meu rosto e curtir aquele momento único vivido ali. Único, simplesmente único Com aquelas pessoas Aquele lugar Aqueles objetos Aquelas roupas

terça-feira, 22 de abril de 2014

/cor pú luz co

A sombra é o desenho do corpo sem luz

Eu faria amor com quase todos vocês...
...O problema é que meu amor não é de fazer

Es la naturaleza es la naturaleza es la naturaleza es
gente, não sobrou nada de natural
até essa vontade que a gente chama de tesão que parece tão organica e espiritual pode ser vendida em doses aleatórias nos armazéns desse grande genital asfáltiko.

Eu me divirto muito nesses momentos
Me divirto tanto que quase nem lembro de vocês. Dessa vez mal olhei pro lado.
O prazer era tanto de mim pra mim, de mim comigo m m eu m mingo ming minguo mingar minguar, nn n n não, n nn n, não.


e a criatitividade vinha que nem uma criança xereta pedindo carinho e atenção e a cara dessa criancinha era tão linda, e eu queria amar tanto essa criancinha que eu ficava dando tudo o que ela queria. e ficava seguindo a minha criatividade e profanando em ato todos os absurdos aos quais ela me aconselhava. Eu nao podia deixar nada para traz, nao podia ter nenhuma ideia que ficasse sem realização.

lembrava do ar de destilado que ele imprimia nas frases e o que eu sentia quando ele sugeria a performance. tudo me tomava de um jeito tao intenso. eu sabia que era só uma relação, mas encarava como amor eterno.

transcender a partir do prazer
que tem a ver a sombra com o corpo?

sábado, 19 de abril de 2014

O Espaço: A chegada - A partida.





Aberto - Entre!

O espaço para ser ocupado.
Centímetros Átomos Metros²
O jardim mais bonito da cidade.
Ser Planta para ser neutralidade.

O alto, A chuva, A ave.
Ao Alto! Circulo Chuvoso.
Em desbravados e intensos: contatos.
No alimentar-se dessa energia.

Abrigando o êxtase de transitar.
O movimento a libertar!




E então percebo o quanto é fácil se desfazer, identificar-se ou não. É fácil,
por vezes é rápido. Percebendo o quanto me agrada ser quem pode inserir
elementos na composição alheia.

Agrada-me ser livre para transitar, tocar e parar.

É intenso o êxtase coletivo.


"Psicografia" referente a aula do dia 11/04

Florido Priscila





quinta-feira, 17 de abril de 2014

Questões
Na volta para casa da aula, encontrei mais alguns pertences: um papelão esticado no chão, um par de tenis e um guarda-chuva aberto, sendo estes respectivamente:
    - Papelão esticado = sua cama;
- Par de tenis = seus chinelos, suas pantufas, seus sapatos;
  - Guarda-chuva aberto = seu teto;
Quando me deparei com essa instalação organizada, caiu a ficha de tudo o que rolou nesta manhã, e esta semana o que me vem são perguntas...
O que existe? Porque provar sempre que existe? O que é ser melhor? Quem inventou? O que é o egoísmo? Quem somos nós? Por que urinamos? O que são os ciclos? E a solidão? O que são as teorias? Por que homem gasta energia com coisas tão bestas? O que é a nossa essência? Onde ela está "perdida"?
Desta vez, tudo mudou. Desde o espaço ao espaço. A luz tá linda.


 Ainda encontro isto:

quarta-feira, 16 de abril de 2014

o PESCADOR (Relato seis

53 (RELATO SEIS)  Manhã Azeda ou Alguns princípios performáticos – cotidianos: 

Estava eu na parada de ônibus, numa dessas manhãs cedinho, onde os ossos estão quasecongelando e a chuva fina, associada ao trânsito barulhento e à abundancia de sono e decimento no cenário, resultam num mau-humor crescente. Ou numa manhã azeda. Retiro o celular do bolso, ele é meu olho-mobil, um órgão eletrônico, um olho fora docrânio, que me possibilita ver, por suas lentes de baixa resolução, o mundo. Mas pra queeu quero um olho de baixa resolução se eu sou dotado de dois olhos biológicos que funcionam relativamente bem associados aos óculos e enxergam tudo em alta resolução, eem três dimensões, e etc? Muito bem, por que eu não posso enfiar o dedo na cavidadeocular e retirar de lá a bolota da visão. Por que dentro da cabeça o olho se acostumou aver sem se perguntar por que vê e o que vê? Porque sua atualização em imagem nocérebro é quase automática, imprimindo um estatuto de real a tudo que vê, tornandocotidiano qualquer coisa, situação, mesmo que esta se torne presente em um desconfortointenso. Porque estou com sono e os carros se atravancam na paisagem de cimento easfalto e a chuva fina cai numa manhã gelada do inverno em Porto Alegre.Começo a olhar pela câmera do celular, eu transformo meus dois olhos no olho singular que seguro com a mão, o olho-mobil, e começo a re-ver toda a situação que naquelemomento eu me encontrava.-Não existe nada de bonito aqui, todo mundo tossindo e encarangado, luz cinzenta, chuva fina. Não tem nem o que eu possa fotografar. Viro-me. Atrás da parada de ônibus um prédio enorme desses colossais de vidro espelhado e revestimentos pétreos em formado decaixa. – QUANTA FEIURA! 

 54 Começo a fotografar a fachada do prédio que no nível da rua se apresenta como um nichode vidro e cortinas de escritório, dessas que cortam a imagem em barras verticais. Pois alihá um banco, atrás daqueles vidros tem gente trabalhando, tem dinheiro correndo. Percebo então que por trás do vidro e das cortinas está um homenzarrão todouniformizado como se fosse um “comandos em ação”, me olhando com uma cara que eu poderia adjetivar como tudo, menos simpática. Continuo fotografando e olhando, oumelhor, re-olhando, pois ao tirar o olho da cabeça e o segurar com a mão eu vejo a visão,eu re-olho com meu re-olho, o olho-mobil.Vindo das tripas daquela instituição financeira, aparece outro personagem, desta vez umhomem gordo e mais velho, de camisa e gravata que gesticula para mim atrás do vidrocomo que dizendo pare! Pare! É proibido! Não pode! E eu gesticulo em resposta dizendo pode sim, olha aqui, já tirei várias fotos! Eu estava especialmente enfrentativo naquelamanhã.Continuo olhando para o banco e para a situação. Uma ação minha havia detonado uma série de outras ações. Por surpresa, surge um terceiro personagem naquela vitrine, umhomem magro de gravata e camisa que retira do bolso seu próprio celular e começa a me fotografar. Nesse momento meu mau humor já tinha se transformado em prazer sádico, e sendo agora, de fato, alvo de outro olho-mobil prontamente comecei a posar para ohomem por detrás do vidro e das cortinas, e da instituição. Me agarrei na parada como seestivesse ao lado de uma palmeira numa praia na beira do mar. Ele continuou fotografando. Botei meu olho-mobil na altura da braguilha e balancei o artefato para ohomem que me fotografava, chegou meu ônibus e embarquei.Você deve estar perguntando que diabos este relato está fazendo aqui. Vou contar. Muitasvezes as minhas sinapses mais interessantes sobre certos assuntos me assaltam na rua. Através desta experiência eu consegui conversar comigo mesmo sobre a capacidade deuma ação performática, revelar e pôr em movimento toda uma série de comportamentosinvisíveis, congelados, normatizados e naturalizados no cotidiano. Relações de poder foram reveladas, criticadas e ironizadas pelo decorrer da ação.

Comecei a pensar que as 55 vezes o performer age como um pescador. Uma pequena ação pode ser um anzol lançadono oceano da vida cotidiana. As vezes um pequeno anzol é capaz de trazer à superfície umtubarão. Vejamos bem: estava em um campo delimitado por uma série de convenções ecomportamentos pré-estabelecidos (um banco não pode ser observado, ao mesmo tempoque nos observa com suas câmeras de segurança, e nos esquadrinha e regula pelo controledo fluxo de dinheiro), praticamente invisível em sua característica de coerção, proibição econtrole. A ação, sem querer, revelou alguma coisa, uma teia de comportamentosinterligados que envolveram o público e o privado, o status do “olhar” como ação potente,a relação de medo, desconfiança e velada violência que media o espaço entre a instituiçãoe o cidadão. A ação deslocou meu olhar e o do outro para um espaço critico, experimental. Eu e o outro somos “revelados” pelo comportamento performático. Vou me apurar um pouco aqui, pois quando chegar na hora, nós poderemos lembrar disso, mas, pensando por analogia, eu e o banco podemos formar um “corpo”. Estamos em relação, ligados por “órgãos” ou “funções”, geralmente não perceptíveis, condutas, comportamentosinteriorizados e naturalizados que fazem com que este corpo funcione sem perturbações. Ode fora está fora, o de dentro está guardado, as relações de fluxo monetário e status quoestão garantidas. Minha ação sutilmente perturbou o funcionamento destes órgãos, elarevelou algo como os produtos químicos que em contato com o papel fotográfico marcado pela luz revelam uma imagem. Ao mesmo tempo posso pensar no caráter meditativo destaação, pois ela criou um espaço crítico, de reflexão. Como posso falar experiências dessanatureza? E se ao invés da rua e do banco, eu fosse um diretor de teatro, se meu olho-mobil apontasse para o meu próprio crânio? E para o teatro? Se eu fosse um pintor e essaação reverberasse no meu fazer? Estou, com esse pequeno relato, já convidando o leitor aotipo de processo reflexivo que está em processo aqui. O Corpo sem Órgãos, como veremosmais tarde, pode assumir comportamentos complementares, sendo tanto um “programaexperimental” ou uma “metáfora de trabalho”, pois pode acionar comportamentosexperimentais-criativos, quando um “conceito”, sendo capaz de servir para refletir e problematizar questões inerentes à sua própria prática. Mas isso será aprofundado maistarde. Agora estamos entrando devagarzinho na complexidade destas questões.

JDR IN

segunda-feira, 14 de abril de 2014

BIBLIOTECA VIRTUAL
Postem os livros que possuem ou material online disponível para podermos trocarmos e nutrirmo-nos.
Sexta feira acordei arrastado num dia que começou seco e ficou do nada molhado;
eu nunca troquei de lugar com ninguém porque sou egoísta demais com meu EU.
na cúpula troquei, troquei e me perdi.
no início eu tratei como brincadeira pura, correria, chuva fria e vizinho curioso.
Me perdi quando li palavras que não saíram do meu punho mas de certo modo me atravessaram o coração, logo durante um passeio circular achei pregos enferrujados e marquei com feridas o texto que não era meu.
por algum tempo eu fiquei oco, sem sentir o eco das mesmas perguntas que me faço todo dia, eu fiz eco do silêncio e me encontrei um pouco mais no som dos outros.

Maílson

domingo, 13 de abril de 2014

O caos

Hoje temos um elemento novo o convite de pegar nossas coisas e partir para fora da sala.
A novidade me excita, provoca. O externo é belo e cheio de aromas, a chuva estimula minhas sensações.

O ambiente é belo existe poesia em tudo, corpos se movimentam animados com as possibilidades que poderão vir. Percebo uma euforia generalizada.

Eu, sentido ainda as sensações do belo espaço, rodeado pela cidade, que curiosa se posta na janela, para espiar o seu desejo, talvez sendo exposto, pelo o outro anônimo.

Vamos para o alto, quase nas nuvens. O frio na barriga é o prenuncio do medo. Sei o que me espera... a incerteza, e ele, novamente ele, o Caos. Observando-me, assombrando-me

Tento buscar formas para lidar, tento me abrir para receber, mas algo me leva ao desconforto e eu tento sentir, e vivenciar os sentimentos.

É a bagunça, é a falta de controle, é a forma como é manipulado os elementos, às vezes com total desapego, é a irracionalidade de alguns, agitação de outros???


Mas de repente, um olhar me captura e me leva para um lugar único distinto, onde tudo faz sentido, onde a emoção está verdadeiramente presente. Um olhar inteiro, verdadeiro, interage, troca, acrescenta e me leva por alguns instantes a dar sentido a tudo.
Temos algumas barreiras internas sobre várias coisas na vida. Formei uma em relação à performances, em geral, bem no geral. Nada contra, somente aquele medo do desconhecido, de algo que nunca tinha feito antes. Sendo assim, a aula de sexta-feira, pra mim, foi uma passagem, quase um ritual, um ritual de entrega a algo novo, de entrega de si mesmo a algo novo.
O não saber o que vai acontecer e nem como, foi determinante para "dar certo". Não foi nada chocante e nem invasivo. Porem aconteceu algo internamente em mim naquele dia. Precisei de um tempo pra pensar e tentar entender.
Ora, quão frágil somos quando expomos os nossos detalhes, aqueles que não costumamos mostrar para ninguém no cotidiano, na vida. Ao mesmo tempo que notei essa fragilidade em mim, me senti culpada por ter limpado minha bolsa antes de sair de casa, porque não precisaria daquele peso todo. Mas aí que está a loucura. E tive que parar e tentar entender. Pra mim me despir dos meus objetos e abri-los a conhecidos desconhecidos acabou sendo quase ritualistico, mas no momento que a proposta vai fazendo algum sentindo, a vontade de entrar no jogo é maior, é quase contagiante, e por isso, gostaria muito que eu não tivesse feito a tal limpeza antes, pra mostrar mais e mais. O que não deixa de ser engraçado e estranho pra mim.
No momento de deixar a minha "ilha" para trás e visitar as outras, conhecer outras pessoas pelo seu íntimo, foi muito louco ver o rosto dos colegas passando pelas ilhas e descobrindo diferentes situações e pessoas que lhe causavam estranheza ou afeição.
Organizações que pra mim são desorganizadas pra quem as tem não são. Talvez a minha organização, do meu jeito, seja chata para outros, interessante para alguns. É um jogo de diferenças interessantes e convidativas ou não.
Deixar a minha ilha naquele momento foi quase uma despedida, um caminhar meio apertado e o desejo de querer voltar para aquilo que é seguro pra mim, que faz eu me sentir segura e me traz lembranças. Olhar para tudo aquilo colocado ali, tudo que era tão pouco mas que já contaria coisas de mim e da minha vida muito rápido.
Como pode?
Nesse momento, em que um fio me puxava pra minha ilha, senti a vontade de conhecer mais das outras ilhas e a força foi maior pra ir do que pra ficar. Como se fosse desbravar fronteiras do desconhecido conhecendo. O tempo gasto nesse rito de passagem pelas ilhas que tinham se formado na sala quase num piscar de olhos, poderia ter durado a manha toda que já teria sido uma experiência muito significativa.
Mas aí, somos instigados a fazer mais um pouco, a ir além e vestir o "ser" do outro ser. Vestir o todo, bisbilhotar, tornar teu. O que me passou estranheza, perguntas de todos os tipos, sobre todas as questões de todos os objetos daquela pessoa. E o mais denso, a partir daquele momento eu seria um pouco dela e ela, mais tarde, seria um pouco de mim.
E porque não? Porque é tão difícil e louco se ver de outro jeito, com outro estilo, é quase como desconstruir a tua vida e se imaginar em uma outra situação completamente diferente.
Então agora, avaliando tudo, posso ver que foi sim chocante e invasivo, mas de uma maneira bonita e sem traumas, porém com muitas questões criadas, refeitas e muitas não respondidas, que provavelmente vão permanecer mais um tempo dentro de mim.

Obrigada!

PSICOGRAFIA II

quem está na chuva é pra se molhar quem está na cúpula é para circular eu pedi desculpas eu não queria pular mas eu queria eu pulei eu incitei todo mundo a pular e deu tudo errado. todos serão punidos pelo meu erro, não existe mais cúpula, não existe redenção. 

eu te amo, eu te amo, eu te amo, gabi, mas já não dá. na ponta do lápis, no monstro da página, no sussurro macio da besta eu me arrasto e passo por versões de mim que não sou eu. eu olho para as pessoas e não consigo ver as pessoas. sonho com redenção, estou distraída e vagando por arrependimentos políticos. tento me travestir de artista. a máscara cai.

pelos meus cálculos, há cerca de quinhentos itens neste círculo. uma pessoa é um item. um grampo de cabelo é um item. eu fiz letras, não sou boa com números, mas contar me acalma. estimar me ilude. eu faço de conta que sei o que está acontecendo. hoje, esta é minha performance. show. urgência. corre corre corre corre corre e aí respira fundo. olha essa menina. ela me olha eu olho pra ela. olha esse outro. todos atentos menos eu. 

o real é o que urge ou o que vaga? não tenho certezas, hoje. tenho que inventar instruções que a desatenção me roubou. depois eu penso nisso tudo, depois me devolvo o que a urgência roubou. amanhã é outro dia, outra vida depois do sono que é quase morte. 

sexta feira é dia de festa. durmo à tarde e sonho que o joão de ricardo me roubou a noite. ele tira o relógio do meu pulso, não sei que horas são. vestimos perucas cor-de-rosa, o sonho parece real. quando descubro, já são mais de dez da noite. está tudo perdido. acordo desnorteada, nada está perdido. sinto ainda que me roubaram alguma coisa, mas não tenho certeza do que foi.

M.